Um sujo brinquedo velho
Cansado de ser maltratado
Um dos olhos já era cego
O braço vivia pendurado
As pernas então...
Já nem dobrava o joelho
Pobre do sujo brinquedo
Que só vivia no chão
Só sentia dor exterior
Não amava mais a boneca
Que um dia se apaixonou
Que lhe trocou por uma peteca
Viver já lhe era o bastante
A vida lhe deu muita pedrada
Com os erros só sofreu
Não deu pra aprender nada
Era um brinquedo estranho
Embora abrigue muita felicidade
Morava ao lado da crueldade
E em cima do espanto
Ele tanto abria portas
Quanto as fechava
Um dia era amor
Noutro só dor
Pobre do brinquedo
Que ninguém entendia
Hoje era doce, amanha azedo
Mudava de humor todo dia
Pobre do brinquedo
Que vivia de emoção
Por mais que fosse aceso
Mantinha uma escuridão
Depois de tanto desfecho
Apelidaram de coração...
(Lucas Barbosa)
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