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domingo, 27 de janeiro de 2013

Fotografias Recortadas

As fotos pareciam rasgadas, excluídas, aniquiladas. Cadas elas viam com um punhado de saudade, viam com uma dor que não tinha explicação. Não demorou muito para eu me afogar naquela sensação vaga e me sentir adorado em cada fato do futuro.
Entrei numa máquina do tempo, dancei nas auroras e cheguei aonde eu nunca deveria ter saído, onde tudo era mais simples, onde a "ferida" só era do joelho e poderia ser curada com qualquer remédio que doía por fora, e alimentava por dentro. Hoje tudo ficou ao contrário.
E aquelas fotos, que hoje não passam de papeis, se espalhavam no chão e formava um colchão onde eu me deitara e sonhava de olhos abertos, esbugalhados. 
A saudade era inacessível, o exaspero vinha à cavalo. Entulhei-as na caixa onde estavam, guardei aquele mundo de emoções perdidas, já não perdidas. E voltei para o agora, que não tem pressa nenhuma. Que sentirei saudades um dia.

(Lucas Barbosa)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Olhar da alma

Parece um tanto quanto estranho te olhar. Como se eu sentisse a mesma sensação de olhar no espelho, mas agora sem ser me visto. Olhasse minha alma, (que sempre tive uma sensação estranha que tinha um pedaço  dela perdida, uma banda vagando, flutuando.)
Tão estranho que meu coração parece que te olha também e dispara, perde o sentido, e responde por si só.
Era uma imagem sem sentido, todas elas. E eu cada vez mais me focando em cada gesto seu, cada palavra, cada ângulo. E por poucos segundos esquecia de mim, esquecia que eu tava ali, e que aquele momento eu estava sendo abundantemente ridículo.
E era mágico, gigantesco.
Te olhar parecia engraçado, mas eu ria por ver tanta perfeição em um ser imperfeito. E eu mergulhava naquela sensação amorosa que se tornava cada vez mais fútil.
Sim, eu estava sendo um completo inepto. Mas só por alguns minutos, até meu corpo tomar conta de minha alma e encostar ao teu, e assim me afagando, usufruindo cada momento de volúpia, que perco os sentidos, horas. Foi me perdendo que eu te achei...
(Lucas Barbosa)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Canto da Felicidade

Eterna foi a discussão que um tinha pelo outro para saber quem gostava mais. Não sabendo que o amor que ambos tinha, eram iguais por mais que fosse diferente, tinha uma linha tênue que separava um do outro. Nenhum sabia amar no começo, apenas amava e chamava aquilo que sentia de amor. Depois que o tempo, ódio, distância resolveu afastá-los, depois da certeza que a felicidade de um seria mais feliz com o outro, voltaram a se falar e concretizaram o amor que antes era uma confusão amável.
Bastava olhar os olhos de cada um quando estavam perto, bastava sentir e usufruir da alegria que ambos exalavam quando tinham um contato não muito sociável, mas, que era formidável por estar apenas juntos.
Alguns invejavam, outros admiravam. Era incabível se seus corpos fossem separados, era saudade, era tristeza.
Mas a presença espiritual que um tinha pelo outro, superava qualquer distancia, qualquer briga, qualquer intriga. E cada momento que foste passar junto, será incrivelmente eterno.

Lucas Barbosa

sábado, 5 de janeiro de 2013

Esperança da confiança

E eu escrevia, escrevia, e nada saía. Longas horas, longos momentos e nada me satisfazia, e eu sentia, sentia que precisava de mais tempo contigo, nem que seja um minuto, apenas mais um. 
Mas algo gritava, e saltava uma raiva que não tinha sentido nenhum, um silêncio sem explicação, mãos frias em pleno calor fulminante.
Essa minha expressão fútil durou horas o suficiente para uma discussão que também não vinha em um sentido favorável. 
É triste ver poucos amores se esgotarem como muitos, é difícil você encontrar um amor que não tenha errado nem uma vez na vida, ninguém erra só uma vez na vida.
Um erro, dois erros, uns erros... É nessa gradação ascendente que o ciclo começa a se desenvolver e criar um pouco de sentido que antes não tinha.  
Mas ainda vêem aquela impressão que tudo será como antes, que ainda vai continuar aquele ser errante que sempre vem acompanhado com um punhado de faca. E no teu beijo efêmero da noite vazia, me esvazio em mim, e só te vejo.

(Lucas Barbosa)

Soneto de Saudade

A saudade batia
E eu sem fazer nada
O orgulho me feria
Esmurrando à ponta da faca

Inúmeras cartas escrevi
Na angústia e na saudade
Na esperança de ainda ouvir
O que chamávamos de verdade

Só eu sei minha euforia
De você ter me mandado,
Uma mensagem de bom dia.

E na conversa demorada
Via teu fútil fardo
Espalhados na estrada.

(Lucas Barbosa)