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domingo, 25 de março de 2012

Estradas

Já com os pés firmes
No solo raro
Que já fora triste
E muito caro

Um sorriso no rosto
Uma vida vazia
No rosto um desgosto
Que não vê alegria


E escrita na mão
A vida arrastada
Onde plantara o grão
E não colheu nada

Se curva a sorrir
Diante à dificuldade
Onde a vontade
É só de se ferir

No desvaneio se perde
Acorda, e se encontra
De baixo da cama
Com medo de tudo

E de repente surge
Caminhos na estrada
Florida e amada
Na total plenitude...

(Lucas Barbosa)

terça-feira, 20 de março de 2012

História de amor

É Maria, coitada
Toda desarrumada
E João então,
Não tem onde cair vivo

Os dois se juntam
Criam laços
Separam
Depois se casam

João trabalha
Maria no pé do fogão
João de tanto trabalhar
Maria de tanto cozinhar
Viu a sorte do dia
E jogou na loteria

Já acharam pouca a pobreza...
... Maria teve gêmeos
João foi rebaixado do cargo.
Maria pensa no parto
Já João como sustenta-los

Passaram-se nove meses
Maria teve Joãozinho e Pedrinho
João sem dinheiro
Passou a ser pedreiro

Maria e João se divorciaram
Pedrinho ficou com João
E Joãozinho pra Maria

Pedrinho precisava da mãe
Joãozinho dos dois...
Ambos necessitam do leite
e de carinho

João e Maria se estabilizaram
Com tanta fadiga
João dorme no sofá
Maria no tapete
Joãozinho e Pedrinho
Entre eles...

João adoentou
Maria enriqueceu na loteria
Maria não fugiu!
Viveu feliz com sua família...

(Lucas Barbosa)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pra que?

Minha palavra tão limpa
Polui teu ser sujo
Nos teus olhos amargos
Vejo ódio saltitando
Voando,
Tomando conta de você

Pra que isso?
Se todo mundo é sujo
Como eu, como você!
Se o erro é não pecado
Se o "te amo" virou "bom dia" 
Se ninguém é melhor que você
Se você não é melhor que ninguém

Meu sangue é vermelho
Por acaso o seu é amarelo?
Nossas diferenças são iguais 
Meus pensamentos vão longe
Já o seu pede carona...

Pra que isso?
Se a vida é bela
Se eu preciso de você
Se você precisa de mim...

Não sou seu oposto
Talvez até sou
Tenho história agradável.
Minhas lutas,
sempre foram vencidas
Pra que racismo?
Pra que?

(Lucas Barbosa)

Amor

 Ah, o amor...
 Que sejas eterno
 Inexplicável e compreendido
 Pra sempre sincero
 Bonito e vivo

 Que no chão pise
 Que transborde alegria
 Que pise em mim
 Que deixe em carne viva
 Que guarde cicatrizes

 Viverei sempre marcado
 És a tua lembrança
 Mesmo que tenha que partir
 As cicatrizes vos lembrará
 Do tempo que fui feliz

 Lembrarei-te sempre
 Serei persistente
 Sempre que for preciso
 E ainda mais vivo
 Te Amarei novamente...

(Lucas Barbosa)

domingo, 11 de março de 2012

Pernas da Amizade

O som vibra
E logo, some a luz
E em brasas corre meu corpo
Quando se conjuga
A palavra amizade.

Um relicário oculto
Onde? Cadê?
No baú...
No azul.
Escondido.

Feito estátua
Minha palavra paralisou
Ao lado do amor
Bem ao lado
Atrás da porta
Debaixo da cama.
Sumiu!

Silêncio é preciso
Não sei escuta-la
Senti-la, sim
Correndo em meu corpo
Sugando minha alma
Tão bobo, como a amizade.

Simples, viva!
Sem querer achar
Procurar, não faz sentido
E no mundo vivo
Se jogue de cabeça
Erguida, e só viva,

Parou,
Parou de dançar
O amor fugiu
A amizade também
Expeliu,
Acabou!

(Lucas Barbosa)

sábado, 3 de março de 2012

Poesia de segundo


Ta aqui...
Sempre ao meu lado,
Como carta fora do baralho
Uma dor que em mim vive
Num espaço opaco, livre...

Nunca aqui,
Nunca livre
Presa em mim
E insiste...
e por fim,
Já não existe...

Muda,
Muda tudo pro diferente
Muda,
Calada e não sente nada.
Além da dor
E nos olhos, jarros d'água.

Água poluída
Imunda  no teu verbo
Pra sempre, espero
Espero sentado
Carregar este fardo
Pesado...

A poesia
Poesia de segundo,
Jogada pra fora.
Do mundo...
Do outrora


(Lucas Barbosa)