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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Aprendeu-se com a pedra

Paraste no alto do cais firme,
Frio feito pedra de gelo,
Como um corpo morto.
Como uma alma morta.


Amasse a pedra tanto,
Que pôs em sua alma,
Abrigou em seu peito.
Sumiu no mundo.


Pisaste o chão sujo,
Com nojo, com febre.
Caiu com gosto,
Com sede.

Escreveu um poema com desgosto,
Sem fôlego,


Paraste no alto do cais firme,
Olhas-te o mar calmo,
E calmo sentou-se no arpoador,
Sentiu o chão,
Mirou com dor.

Levantou da tristeza,
Levantou da pedra,
A pedra que plantara no seu peito,
A pedra que feriu seu coração.
A pedra que tropeçou-se.
A pedra que amou-se.
A pedra que lhe traiu,
A pedra que lhe cuspiu.

E continuasse amando a pedra,
Abrigando em seu peito,
Transformando-a em dor.
Transformando-a em arma.

(Lucas Barbosa)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cobra, Cubra

Inundo a mim mesmo, no escuro.
Procurando um lugar calmo,
Um espaço deserto onde só eu posso ocupa-lo.

Cedendo a morte, vou me matando aos poucos,
Estrangulando cada fio de cabelo.

E no reflexo do espelho,
Tantos caminhos na estrada.
Procuro teu beijo e nada,

O travesseiro rasgando a dentes,
E sugado até a ultima essência do teu perfume,
Já não me consola mais.

Mergulho em facas e te acho perdida,
Vagando na vida,
De bem com o destino.

E o coração a leilão público,
Esquecendo-me aos poucos,
Rasgando minhas fotografias
Atiçando meu poema de amor no lixo.

Parei no seu olhar, menina,
Se assanhe feito cobra peçonhenta,
Me dê o ultimo bote.
Me dê essa sorte, de morrer ao seu lado.

(Lucas Barbosa)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Soube

Fiquei sabendo que não controlo minhas mãos,
Que elas decidem por si o que fazer,
Que elas tremem quando me ver tremer.

Fiquei sabendo que meus pés andam,
Andam me colocando em um buraco vazio
Que eles aquecem quando me ver frio.

Fiquei sabendo que meus olhos enxergam o errado,
Que eles tremem, quando miro em uma coisa boa
Que eles sabem quando me apaixono.

Fiquei sabendo que quanto mais eu penso,
Mais faço as coisas ficarem mais altas

Fiquei sabendo que quanto mais insisto,
Mas vou cavando o buraco onde estou plantado
Que menos pessoas ficam sabendo que existo.

Fiquei sabendo que meu coração fura,
E dura até quando não estoura,
Que muda, quando entra em muda.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sofrimento em lágrimas.

Estava la,
Sentada em frente ao mar,
aumentando-o sua quantidade de água salgada.

Afogando-se em terra firme,
Dominada pelos próprios problemas,
Aumentando a sede de cada um deles,
Encostando no abismo,
Pulando do muro.

Correndo atras do sofrimento
Fugindo do conselho,
Se esquivando das flechas do cupido,
Se olhando no espelho com teimosia.

Apostando alto no impossível
Lendo livros para surdos,
Fazendo mimicas para cegos
Ensaiando dueto com mudos.

Estava la,
Em frente ao mar.
Cavando sua própria cova,
Escrevendo no seu epitáfio.

Estava la,
Em frente ao mar.
Uma tola.

(Lucas Barbosa)

Uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra num moinho
Quebrando o espinho d'uma flor
Que furara meu amor sem pena.

Pobre do meu amor
Que nem sentiu dor,
ficou no canto quieta,
aguando por um beijo perdido,

Tinha uma pedra no meu caminho
Pontuda, afiada
Triste, mal amada.

Pobre do meu amor
Que nem sentiu dor.

Tinha uma pedra
Talvez até no lugar do coração
Tinha uma pedra no peito,
Talvez até no caminho pelo chão...
Tinha uma pedra no meio do caminho...

(Lucas Barbosa)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ultimo Julgamento

Ó triste partida
Que aos meros, no silencio da voz
me deixa cabes baixo,
de queixo caído.

Com o ego aos trancos
E o reflexo aos barrancos.


Amargurado feito café no pilão,
aos pés da forca do julgamento,
e ao fio da corta partida.
Senhor tempo, do relógio parado,


Aos pés da santa cruz
Na ultima batida do martelo
E as mãos...
Estremecida da vareta de ferro

No olhar de tédio como segunda-feira
Entre um mar cheio de areia.

Com os olhos esbugalhados de aflição,
Não sentindo os pés firmes no chão.

Sinto a primeira batida do martelo,
A primeira voz de aproxima
parece uma voz de menina,
Sim, estou certo
É uma voz de menina,
Que aos poucos se aproxima
Bem mais perto.

Sinto seu te amo bem baixinho
Com a voz ainda quente,
Seu olhar me distancia para um fim de uma fábula
De um feliz para sempre...

(Lucas Barbosa)