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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

À gota d'água

Há uma raiva que não me deixa dormir, uma dor que não me deixa sorrir, uma saudade que não me deixa amar. 
Minha mente aos vazios me levam numa hipótese duradoura que me mantém no exílio. Não há mais lugar para por tantos planos que fiz para o dia seguinte. Estou cansado, principalmente cansado. 
Não que odeie a mentira, nada contra, mas gosto mesmo da verdade bem dita, na cara, saindo daquele pote de raiva que vêm guardado a séculos. 
Sabe uma fase que nada da certo!? Que nem mesmo seus neurônios estão funcionando direito. 
Quero acordar sem dar bom dia a ninguém, e não ter que explicar por que não dei bom dia. Estressar menos, divertir mais. Talvez eu precise de alguém depois pra conversar, sei lá, mas quero fazer isto pelo menos um dia.
 Estou escrevendo para ver se as palavras aspiram um pouco dessa raiva e me deixa ir dormir. 
Tenho um conselho, mesmo eu errando frequentemente eu vos deixo um conselho: não ame a quem você não confia, o ódio sempre tomará conta do amor e fará dele o pior brinquedo do mundo, espere um ato de amor para amar alguém, não vá de vez, não tenha pressa. A vida às vezes requer paciência. Grite quando tiver ódio, esmurre objetos, chore, e depois pare num momento de volúpia, relaxe. Não ocupe-se com o nada, mantenha o equilíbrio. Sempre.

(Lucas Barbosa) 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Aspirar

Era uma noite fria, mas os corpos estavam soltos e isso tornava a noite mais fria ainda. As conversas eram pesadas, mas aquele momento não deixava de ser inesquecível, sussurro de choros, suspiros cada vez mais fugazes o coração cada vez mais apertado, o medo batendo como um tic-tac de um relógio. Sempre sentara ali para discutir as mesmas asneiras, as coisas insignificantes que desgastavam o sentimentos que ambos tinham um pelo outro.
Como todos, aquele puro sentimento que ia ficando cada vez mais vazio ia acabar, mas nenhum dos dois queriam, não que acabasse, mas da maneira que acabasse. E após a um ensejo de silêncio, o mais corajoso decide retomar a conversa e solta um "eu te amo". Nada melhor do que voltar ao normal do que um eu te amo depois de inúmeras desavenças. Passou-se dez minutos e eles voltaram a brigar, agora com tapas, abraços e beijos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Congênere

E sem ideia nem rima
Pus a fazer um poema
Qualquer que combina
Encaixe com um tema

Viro, Reviro, me embaraço
Pulo, corro e veja só
De súbito vi um nó
A amarrar no meu abraço

E o beijo invejoso
Queria entrar no verso
E no verso
Dizia ser gostoso

Além desse curioso porém
O amor com inveja também
Gritou claro e bem fundo:
-Eu sou o melhor sentimento do mundo

A raiva com muito ódio
Entrou-se na história
Queria subir no podium
Por estar amiúde na memória

Depois da vez da tristeza
-Que pedia para ser feliz
Acredite! A feiura não quis
Nem conversa com a beleza

E sem descanso nem recreio
Todos foram dormir
E a dor com anseio
Do carinho fosse surgir.

(Lucas Barbosa)