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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Meu eu errado

Queria muito me entender. 
Mais do que qualquer indivíduo que cruza o meu caminho e se faz essa pergunta inerte que nunca terá esclarecimento. 
Um pouco estranho, bambo, que procura reciprocidade em tudo e acaba não achando. Pouco de louco, bobo, que acha tudo o que não deveria ser achado. Meio infeliz com certos momentos que, se já não quis, tanto faz ou tanto fez. Insuficientemente sagaz, onde no meio de uma guerra, tira-se a paz. Amavelmente parasita, que por necessidade ou por acaso, faz do seu sangue um extrato. 
Luto entre palavras mal ditas e fico de luto pelas não discutidas, e quando o problema se impõe, reviro meu poema, retiro minha cabeça à quaisquer ameaças ironicamente afáveis.
Sou oposição a tudo. Do formidável ao detestável, do sublime à uma mixórdia. Não tenho hora pra ficar triste/feliz. Sou como o vento me leva, em sopros favoráveis ou desfavoráveis. Faço do momento meu estilo de vida, só assim, viverá em um dia, o que os entendedores vivem em uma semana.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Quantas vezes eu vi

Quantas vezes eu vi
A saudade voltar
E o mundo desabar
Num espaço vazio

Os olhos cobrirem de angústia
A lágrima meio murcha
Que eu mesmo bebi

Quantas vezes eu vi
Seu sorriso almejando
No espelho que refleti
Descontente e chorando

Ah, eu me lembro bem
Do sorriso que comi.
E eu sorrindo também
Me pus a assistir

Que doce palavra!
Que tempo que vivi!
Já não voltava, e
Por mais que amava
Estivera sempre aqui

E da brisa se brotava
O bálsamo que senti
E que nunca acabava.
Quantas vezes eu vi

Lucas Barbosa

sábado, 30 de março de 2013

A Madrugada





























      A madrugada sempre é companheira dos solitários. A que mais sabe das coisas, das intimidades, dos amores, de quem odeia quem, de quem ama quem. E ela calada, escuta muita gente chorar baixo para não acordar o vizinho, e te dá o maior conforto da mágoa.
De tão quieta chega a ser pavorosa, é o espaço curto para o infinito pensante.
Não tem preconceitos. Seja raiva, amor, ódio, solidão, arrependimento, culpa, decepção, traição, compaixão[...] Sempre há motivos e razões das quais ela te despertaria de um sono calmante. 
Foi feita pra amar, transar, pensar, escrever... É a garantia que amanhã será diferente, ou que o amanhã chegará.
Lindo mesmo é ver o sol nascer, para dormir tranquilo, porque o sol passa uma segurança enorme para nós, tanto quanto qualquer seguro.
Também é onde o medo mora, onde tudo que você pensa de ruim só pode acontecer pela madrugada. Talvez até foi ela que me gerou, não imagino alguém ser feito de dia.
A madruga é fria, mas te cobre quando sua cabeça está quente.

-Lucas Barbosa

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Risco

Todo dia, tudo está mudando. Não é difícil perceber tal absurdo. Basta olhar.
Basta olhar as pessoas que um dia te juraram amor eterno pra sentir o ódio suspirar depois de nem olhar pra sua cara.
Basta olhar no espelho e ver um reflexo meio vago, para você tornar todas suas expectativas de ser feliz, um simples lixo cerebral.
Os dois estão ao lado: a felicidade e a tristeza. É uma balança vazia, no qual, o que pesar mais ganha. 
Não adianta querer felicidade se você tem medo de ficar triste. Quantas vezes você já ficou triste com medo de ficar feliz?
São coisas simples de resolver, mais com uma dificuldade extraordinária de entrar na mente. Ninguém vai te garantir que você não vai se estabacar no chão após uma tentativa frustadora de ser feliz. E muito menos vai te garantir que aquele amor platônico não vai te fazer sofrer nem que seja por alguns minutos.
Você só tem duas opções: não fazer nada e arriscar, sendo que suas chances de acertar são iguais a de errar. A vida infelizmente é um risco, onde todo passo é infalso, toda ponte é meio quebrada, todo coração vem desmontado e com peça faltando para você armar, e na maioria das vezes essa peça não está em você, às vezes ela nem existe (ainda). Nosso dia-a-dia se resume em ARRISCAR, vida sem risco é um simples papel em branco.

-Lucas Barbosa

segunda-feira, 11 de março de 2013


Me desculpe se minhas linhas estão tortas de mais. Ou se o que eu tenho pra dizer não passa de um exagero errante que vem sempre à cavalo. São meras palavras sem sentido, sem direção, explicação. Não leve como uma ênfase.
No fundo são linhas tortas, letras embaralhadas, um grito, um pedido de alto ajuda. Até porque meu ódio é inacessível semelhante ao amor que tenho a mim próprio. Ta escancarado em meu rosto uma felicidade imprescindível, uma foto que até meu espelho não é capaz de refletir tanta euforia.
Uma barreira então seria capaz de me proteger de tanta aleivosia? Anticorpos? O que seria? Preciso exageradamente de uma explicação.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Baú de memória

Talvez eu não jogue fora nossas fotos, talvez não apague nossas conversas da memória, talvez não faço de nossos encontros, reencontros, um objeto descartável, talvez... Não, agora eu tenho certeza! Nunca vou esquecer o gosto do seu beijo, a delicadeza do olhar após me ver depois de semanas, sua mão meio tímida afagando meu corpo, seu olhar frio de ciúme, seu stress insuportável da TPM, das horas e mais horas ao telefone. Guardarei tudo num baú, sem chaves, trancas, nada que me impeça de reviver aquilo que foi eternamente infinito, nos nossos corações.
Tem uma foto da qual eu nunca queria ter visto, uma mensagem da qual eu nunca queria ter lido, uma música da qual eu nunca queria ter ouvido, um toque do qual eu jamais queria ter sentido, um beijo do qual eu nunca queria ter provado. Tenho muitas coisas que não queria fazer, ver, ouvir. Arrependimento é uma palavra grossa, que também nunca queria pronuncia-la. Quero em mim o desejo de ter tudo certo, a garantia...
Não sirvo para arriscar, talvez medo, orgulho... Só queria saber amar, se é que é um saber muito importante, ou a palavra amor, não tem o mesmo significado que há no dicionário. São muitas, talvez o dicionário é a explicação do amor, várias coisas unidas a uma só, que um corpo já não aguenta e vem outro que lhe ajuda...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Passado Amiúde

Era passado carimbado
Eis que vira presente
E volta já amado
E volta já pendente

Esquecendo o passado
Já almejando o futuro
O amor que vinha guardado
Pula de cima do muro

Sem medo de morrer
Nem de se arrebentar
Com fome de viver
Com sede de amar

Já meu amor, ora!
Esse sempre tive
Se todos fora embora
Esse ainda vive

Ó, irmãos desta pátria
Mesmo à chaga a nu
E sem nunca lutar
Se ainda abriga raiva
Jamais saberás tu
Que inda continua a amar?

(Lucas Barbosa)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O mal e o bem

Uma brisa vergava entre minhas nucas, atravessando meus ouvidos, rompendo minha face. Um ar quente, sombrio, que quase podia enxerga-lo, vagava por entre uma parede que mais parecia uma tortura quadrada. Aquele açoite de emoções me fazia fluir e usufruir das coisas boas que vinham de lá mesmas. Aquele momento efêmero foi o suficiente para me manter em um local fresco meio ás cegas. 
A tristeza era imprescindível naquele instante tão apagado. E entre um estrondoso lapso me acendo de um suspiro tão sútil. 
A tristeza é tão fugaz quanto a alegria, e ela vaga também como a alegria permanece. São como um pêndulo que consiste em um movimento de vaivém. Assim obrigando manter o equilíbrio diante em um corpo, que à fórmula  para ficar bem, é também ficando mal. 

(Lucas Barbosa)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Fotografias Recortadas

As fotos pareciam rasgadas, excluídas, aniquiladas. Cadas elas viam com um punhado de saudade, viam com uma dor que não tinha explicação. Não demorou muito para eu me afogar naquela sensação vaga e me sentir adorado em cada fato do futuro.
Entrei numa máquina do tempo, dancei nas auroras e cheguei aonde eu nunca deveria ter saído, onde tudo era mais simples, onde a "ferida" só era do joelho e poderia ser curada com qualquer remédio que doía por fora, e alimentava por dentro. Hoje tudo ficou ao contrário.
E aquelas fotos, que hoje não passam de papeis, se espalhavam no chão e formava um colchão onde eu me deitara e sonhava de olhos abertos, esbugalhados. 
A saudade era inacessível, o exaspero vinha à cavalo. Entulhei-as na caixa onde estavam, guardei aquele mundo de emoções perdidas, já não perdidas. E voltei para o agora, que não tem pressa nenhuma. Que sentirei saudades um dia.

(Lucas Barbosa)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Olhar da alma

Parece um tanto quanto estranho te olhar. Como se eu sentisse a mesma sensação de olhar no espelho, mas agora sem ser me visto. Olhasse minha alma, (que sempre tive uma sensação estranha que tinha um pedaço  dela perdida, uma banda vagando, flutuando.)
Tão estranho que meu coração parece que te olha também e dispara, perde o sentido, e responde por si só.
Era uma imagem sem sentido, todas elas. E eu cada vez mais me focando em cada gesto seu, cada palavra, cada ângulo. E por poucos segundos esquecia de mim, esquecia que eu tava ali, e que aquele momento eu estava sendo abundantemente ridículo.
E era mágico, gigantesco.
Te olhar parecia engraçado, mas eu ria por ver tanta perfeição em um ser imperfeito. E eu mergulhava naquela sensação amorosa que se tornava cada vez mais fútil.
Sim, eu estava sendo um completo inepto. Mas só por alguns minutos, até meu corpo tomar conta de minha alma e encostar ao teu, e assim me afagando, usufruindo cada momento de volúpia, que perco os sentidos, horas. Foi me perdendo que eu te achei...
(Lucas Barbosa)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Canto da Felicidade

Eterna foi a discussão que um tinha pelo outro para saber quem gostava mais. Não sabendo que o amor que ambos tinha, eram iguais por mais que fosse diferente, tinha uma linha tênue que separava um do outro. Nenhum sabia amar no começo, apenas amava e chamava aquilo que sentia de amor. Depois que o tempo, ódio, distância resolveu afastá-los, depois da certeza que a felicidade de um seria mais feliz com o outro, voltaram a se falar e concretizaram o amor que antes era uma confusão amável.
Bastava olhar os olhos de cada um quando estavam perto, bastava sentir e usufruir da alegria que ambos exalavam quando tinham um contato não muito sociável, mas, que era formidável por estar apenas juntos.
Alguns invejavam, outros admiravam. Era incabível se seus corpos fossem separados, era saudade, era tristeza.
Mas a presença espiritual que um tinha pelo outro, superava qualquer distancia, qualquer briga, qualquer intriga. E cada momento que foste passar junto, será incrivelmente eterno.

Lucas Barbosa

sábado, 5 de janeiro de 2013

Esperança da confiança

E eu escrevia, escrevia, e nada saía. Longas horas, longos momentos e nada me satisfazia, e eu sentia, sentia que precisava de mais tempo contigo, nem que seja um minuto, apenas mais um. 
Mas algo gritava, e saltava uma raiva que não tinha sentido nenhum, um silêncio sem explicação, mãos frias em pleno calor fulminante.
Essa minha expressão fútil durou horas o suficiente para uma discussão que também não vinha em um sentido favorável. 
É triste ver poucos amores se esgotarem como muitos, é difícil você encontrar um amor que não tenha errado nem uma vez na vida, ninguém erra só uma vez na vida.
Um erro, dois erros, uns erros... É nessa gradação ascendente que o ciclo começa a se desenvolver e criar um pouco de sentido que antes não tinha.  
Mas ainda vêem aquela impressão que tudo será como antes, que ainda vai continuar aquele ser errante que sempre vem acompanhado com um punhado de faca. E no teu beijo efêmero da noite vazia, me esvazio em mim, e só te vejo.

(Lucas Barbosa)

Soneto de Saudade

A saudade batia
E eu sem fazer nada
O orgulho me feria
Esmurrando à ponta da faca

Inúmeras cartas escrevi
Na angústia e na saudade
Na esperança de ainda ouvir
O que chamávamos de verdade

Só eu sei minha euforia
De você ter me mandado,
Uma mensagem de bom dia.

E na conversa demorada
Via teu fútil fardo
Espalhados na estrada.

(Lucas Barbosa)