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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Relíquia

Minha relíquia de ouro.
Meus traços em folha limpa
A relíquia conjugada no verbo "ser"
Não ser o verbo em mim concentrado.
Ser a poesia clara e lúcida do meu verbo
Viver e não viver teu mundo...

Minha relíquia de amor
Meus pensamentos resumidos
O resumo do meu rascunho várias vezes jogado ao lixo
Sem saber que o conteúdo feito por resumo
Sempre vai ser picotado.
Bom mesmo, é ariscar, acreditar que não haverá um erro
Viver de apostas, pular caminhos, pisar em lama...

O tesouro guardado à sete chaves
E quem tem a chave?
Vá saber! Vá entender! Mim explique!
Trocarei logo-logo o segredo da fechadura.
Não quero sofrer. Alias, quero.
É sempre bom aprender.

Aprendo pra ensinar a mim mesmo,
Tento ensinar a meus amigos
Mas o amor também é surdo.
Cego e mudo...
Não fala nada... Nem onde ele está.

Minha relíquia de ouro
Minhas palavras em papel
Penso, penso, penso. E escrevo
Não penso, deixo escrever
Deixo falar, deixo se entender.
Acontece isso geralmente
[...]


(Lucas Barbosa)

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